GESTAÇÕES

Gestações  que reviraram a alma, o coração e toda a minha história .

Como é trazer um espírito de lá pra cá?

A luta que percorri pra compreender meu corpo que a cada dia foi se empoderando sem pedir licença e tornando-se  livre à espera dos meus filhos. Fui me redescobrindo enquanto gestava.
Não sabia que trazer uma encarnação, um novo ser me daria tanta força, tanto trabalho. Dai deve vir o nome: “trabalho de parto” não é mesmo? É um loooongo e arrebatador trabalho. De uma transformação tamanha, não como mãe, mas um nascimento pra outras tribos, nasci para  outros pertencimentos.

Pensando no meu parto: foi trabalho, foi dolorido, uma jornada sem volta. Foi ali que nasceu a mãe perante  um grupo de mulheres empoderadas, fundado por uma mulher mais empoderada ainda: a Obstetriz Ana Cristina Duarte, numa lista virtual das antigas, conhecida por muitos como: “Materna SP”.

Foram elas que construíram grande parte do lado mãe ativista que sou hoje e o motivo do vídeo … A elas devo minha gratidão, minha militância em resistência a violência obstétrica, ao direito de amamentar em público, o direito à Doula como segunda acompanhante.

Uma lista secreta de mulheres lindas, empoderadíssimas e irmãs!

Nestas mulheres eu me apoiei , me encontrei e descobri algo adormecido que precisava de amparo,  redescobri minha similitude e pude seguir nesse eterno crescer junto,  que é virar mãe. 

Pude combater meu egoísmo  , seguir minha jornada espiritual mesmo remando sentido oposto à esta sociedade que acredita que o feminismo é apenas ter uma jornada de trabalho como a dos homens, ignorando nosso instinto materno, nos colocando num absurdo da dupla jornada,  onde os maiores prejudicados são sempre os mais frágeis: os bebês recém chegados das estrelas, das nossas constelações, nos confiado com tanto amor por nossos ancestrais e que injustamente com esta loucura brasileira nos dão apenas 4 meses de licença a maternidade e indignos 5 dias aos pais, nossos parceirões. Nos obrigando a depositar nosso bem mais precioso, ainda em período de amamentação exclusiva em creches, terceirizando assim o nosso colo, amor e o tempo  pra que haja  igualitário poder, pelo quê?

Nesse grupo “Materna SP” vi grandes mulheres refletirem sobre tudo isso e  mudando o curso dessa história, mudando também suas carreiras para viver a maternidade de forma mais presente e se redescobrindo na profissão, agora como mães. Isso lá em 2007, 2008 quando me acheguei, nós nos empoderamos de tal modo que médico algum poderia nos dizer mais o que fazer, em que posição deveríamos aguardar a próxima contração, ou onde deveríamos parir. Nós agora tínhamos  o poder da informação. Fomos presenteadas por parteiras e doulas, verdadeiras Divas, dispostas a dividir o rico conhecimento  adquirido conosco, simplesmente pra não nos ver mais reféns da classe médica cesarista.

Eu pensava o que levava  essa “doida linda ” ativista da Ana Cris moderar e responder por horas e horas por dia nessa lista e-mail por e-mail com tanto carinho,  esclarecendo e empoderando essas mulheres, mas pra quê? O que leva alguém a fazer isso tudo? Só mais tarde fui saber sua história e que ela, Ana Cris, também já havia sofrido violência obstétrica, deu início a esta lista e foi  possível também que eu, Ana Ariel, nunca precisasse passar por isso e pudesse escolher para já para a minha  primeira gestação um parto em casa lindo ao lado do meu marido, dos meus pais, da minha parteira, da minha pediatra Neo, da minha Doula, da minha bola de pilates, da minha banheira , da minha casa.Entendem?

Tantos sonhos possíveis , graças a seu gesto e suas horas e horas em claro, moderando uma lista de mulheres ainda aprendendo e ganhando forças, se empoderando pouco a pouco.

Nesse mundo virtual eu também conheci médicos humanizados grandiosos que timidamente pertenciam a tribo e não se sentiam  ameaçados pelas obstetrizes,  porque o lugar e a carreira deles estava completamente garantido. Eles são médicos e sabiam bem disso , sabiam que quando a medicina era necessária eles sempre teriam seu lugar ao sol.

Salvo isso relato de exemplo , minhas próprias lágrimas ao ouvir da minha parteira querida Ana Cristina Duarte  que fazendo meu pré natal, serena e risonha , com aqueles olhos azuis imensos disse :

– Lindona placenta prévia acontece em 5% das mulheres e deve ser acompanhada por um médico e no hospital, desculpe, você precisa procurar um médico imediatamente e eu prometo segurar sua mão no CO.

E quando chegou o dia, além do meu maridão que precisou cuidar do Jojo na hora H, no CO era minha única imagem realmente. Eu lá precisando daquela tão temida cesária que nossa tribo fugia tanto e as mãos imensas da Ana Cris aquecendo meu rosto e me olhando nos olhos., era tudo que eu tinha daquele pertencimento, aquele olhar calmo de novo e todo azul.

Dia após dia eu fui aprendendo com estas mulheres!

No vídeo de hoje, peço licença a você que vem acompanhando com tanto carinho o Canal AnaArielFala para que se esforce um tanto mais hoje, para acolher um tanto mais, pra tentar traduzir esse fraseado “partolandia” , essa linguagem de grávidas tão único. Esse tema importante  que é preparado com muito carinho , carregado de emoção e  hoje com um tanto de tristeza no vídeo e desapontamento também por ver ainda, quase uma década depois dos meus partos, ainda tanta falta de clareza e espaço para estas mulheres: Médicas humanizadas, obstetrizes , parteiras, doulas lutando tanto para que uma mãe e seu filho tenham uma chegada digna a esse Planeta Escola, este vídeo é algo que compartilho da minha história , chegada de cada encarnação dos meus, mas pode ser um dia dos seus. Já pensaram nisso? 

Acompanhe no link:

https://www.youtube.com/watch?v=C4QG75Nnrnw&feature=youtu.be

Com amor e gratidão 
Ana Ariel, mãe do Tom 13 anos, nascido do 💙,. Cata 8 anos, PD  e Jojo 6 anos, Cesária (necessária).