DOR DE AMOR

Eu acredito que Deus nos presenteou com o amor homem e mulher para conhecermos momentos de felicidade plena. Acredito também que quando este amor gera frutos, retomamos nosso amor pelos pais de um lugar mais grato, com uma dimensão maior do quanto eles caminharam para nos educar e nos tornar cidadãos do mundo.Hoje que já sou mãe de três crianças, posso dizer com muita propriedade o quanto fui amada pelos meus pais, o quanto minha gratidão faz sentido!

Posso ter a humildade de repetir todos os acertos com meus filhos e mapear os erros, não que exista erro na forma de amar dos pais, mas existe uma “atualização de valores de como se educa um espirito”. Nunca para refutar contra meus pais, mas para silenciosamente recordar que pra mim, na geração que eu estou não serve como caminho, que é hora de buscar alternativas, pois não estamos vivendo a mesma geração que nossos antepassados, nem mesmo a mesma tecnologia ou condição financeira.

Pra mim, por exemplo, foi mais fácil conhecer e me identificar com a dor humana do que será para a minha filha, que aos quatro anos já teve seu dia na Boutique na Disney, um lugar que eu só tive oportunidade de conhecer depois dos 25 anos! Assim como a primeira vez que andei de avião e a primeira que meus filhos andaram devido às minhas turnês musicais no exterior. Assim como meus pais passaram necessidade e eu não.

Mas essas questões precisam ser refletidas e podadas em meu lar para não criar dentro da minha própria casa filhos apáticos, indiferentes à dor humana, amortecidos pela geração de consumo.

Certo dia vendo que este caminho poderia danificar minha família me desfiz de todos os cartões de crédito, todos os talões de cheque e comecei a ver a cor do dinheiro, o quanto gastamos sem necessidade, sem dimensão do valor.

Nossa que liberdade! Não existe culpa! Gastamos apenas o que não é supérfluo!

Santo Agostinho dizia que “o supérfluo é roubo”! O primeiro passo para combatê-lo é separar-se das ferramentas que te levam a ele.

Acho que ao ler este texto você leitor esperava que eu falasse de amor… E estou falando. Amar não é dar coisas, não é fazer programas de compra, não é sentar-se todo tempo no cinema onde duas pessoas olham para frente e mal se falam.

Amar é jantar junto sempre! E olhar nos olhos dos filhos enquanto brincam de guache!

Amar é dedicar tempo para os muitos amores e não justificar a ausência com presentes.

Toda mulher que ama trocaria uma jóia por uma linda carta de amor!

Toda mulher que ama trocaria o carro do ano pelo carinho e respeito eterno dos amantes!

Todo amor não deveria ser visto como objeto de compras dos departamentos dos Shoppings  e comércios.

Se o dia dos pais fosse estar com eles, inteiros como no tempo de criança, ou ensinando aos nossos filhos que naquele dia pais, filhos e netos comemoram o dia da família, de fazer juntos os doces preferidos um do outro num lindo banquete de família.

Se o dia dos namorados fosse um dia de renovação dos votos, de recordar o primeiro beijo, uma vez ao ano lembrar de quem eu era e porque amava tanto meu marido no inicio como se fosse o único objeto de desejo, que hoje troco pelo jeans novo, da marca X, ou o relógio tal.

Se ensinássemos nossos filhos que o Natal é o nascimento do Menino Jesus e nessa noite cantássemos parabéns a Ele ao invés de trocarmos presentes, que nem agradam aquele parente que só vemos  nessa data, ou ensinássemos a criança que o Papai Noel só pode trazer um brinquedo, pois se não as outras crianças do mundo vão ficar sem nenhum.

Amor não está junto de objetos palpáveis,  mas  sim de memórias de luz!

Este ano meu presente para a minha mãe foi imprimir uma fotinho dela ainda criança e mostrar o quanto minha filha, sua neta, se parece tanto com ela. Foi lembra-la do quanto teve uma juventude bela e não se perdeu dos caminhos de Deus com tanta beleza!

E para o meu pai eu dei um dia inteiro vestindo a mim e meus filhos com roupinhas xadrez preto e branco, eu de saia xadrez, minha filha de vestido xadrez e meu filho de coletinho xadrez, lembrando meu pai poeta que eu amava andar com ele pelas calçadas vestida de sainha rodada xadrez e ele de paletó xadrez…Demostrando o quanto meu pai foi um bom pai, a ponto de sempre me fazer recordar destas memórias tão sagradas de infância.

Amor é olhar para o pai dos seus filhos com respeito, grata por ter uma família, por viver a maternidade todos os dias. Afinal de filho não há divórcio e este laço eterno devemos aos conjuges que durante um período caminharam ou caminham conosco.

Este amor conjugal não pode ser o único, pois sempre existirá nosso amor por Deus, pelos nossos pais que vem antes dele.

Indo mais longe, não podemos começar um amor apagando os amores que passaram, pois foram eles que tornaram o que você vive hoje tão sagrado, foi o que deu errado no seu passado amoroso que te torna capaz de amar de um lugar melhor e mais maduro.

Eu sou grata aos meus muitos amores, ao Sol que brilha de outro lugar e me torna eternamente confiante das minhas belezas e dos defeitos que sei não serem possíveis de repetir se pretendo permanecer casada e construindo um amor com meu marido.

É preciso muito investimento, e parte dele foi contruido pelo nosso passado, pela nossa origem, até pelos nossos ancestrais. Olhar o seu presente estado de amor como a última chance de ser filha, mãe, amante e no outro dia tentar de um lugar melhor e com menos erros.

E quando errarmos nos  juntarmos num estado profundo de contrição e pedir a Deus: O que eu tenho feito que Te desagrada tanto Jesus para eu estar sofrendo tanto?

Porque esta irmã dor tem me visitado tanto que o amor não se apazigua em meu coração?

Minha mãe diz que Deus tem ciúmes de nós! Fui ler na Bíblia onde estava esta passagem e era verdade: (passagem bíblica)…

Acredito que a “Irmã Dor” nos visite quando estamos neste lugar longe dele! Substituindo nossa fé  e nossa missão com Deus por alguma espécie desses muitos amores que deveriam ser nossas colunas, nosso alicerce e nossa paz ao retorno do lar.

Meu primeiro namoradinho de infância me traiu!

Meu primeiro grande amor me abandonou no dia do nosso casamento!

Meu primeiro marido se foi quando adotamos um filho!

E depois todo amor que chegava eu tentava colocar em um lugar de segurança de mim mesma, como se eu amasse só com metade do coração e a outra metade eu já aguardava para a decepção.

Um dia minha mãe me apresentou a Palavra de Deus, conhecida por muitos como Bíblia, e descobri que a vida dos Evangelistas e dos Homens de Deus sempre foi cercada pelo sofrimento, em seguida minha mãe me deu as obras da bibliografia do Chico Xavier, pois somos Espiritas e haviam respostas que só um outro plano poderia nos dar, daí cheguei às revistas espiritas e numa carta linda: uma alma pergunta para a outra onde está sua alma gêmea…e dai a outra responde…ah meu amado é um pobre diabo perdido na Ásia…

Dai eu entendi que o amor não era algo sempre plenamente alcançado e que poucas almas vinham com este privilégio, entendi que em grande maioria construímos uma história ao lado de alguém e que se o tal grande amor se foi… Deus é bondoso demais para nos deixar sós e envia um pausinho torto para nos segurar em meio a enchente como diz o meu querido espirito de Celina.

Buscamos demais e às vezes só a simplicidade pode nos fazer feliz!

E creio que a solidão vem do meu medo de viver a solidão!

Eu nunca tive medo de ficar sozinha, nunca permaneci numa relação por medo de ficar sozinha, se eu não podia viver naquele mundo do outro e nem ele no meu…nos separávamos de caminho e voltávamos cada um para seu mundo…

Toda panela tem sua tampa? Ok! Mas se vc for ao mercado vai descobrir que uma panela pode ter mais de uma tampa, às vezes de aço inox, outras de vidro, ou ágata, uma mais enferrujadinha, outras tampas faltando o pegador, mas tampam do mesmo modo. São as nossas pré- exigências, pré-conceitos que nos separam do amor.

São nossas certezas eternas, nossa mania de dar a última palavra e não ceder nunca, não relativizar nunca.

Jesus quando diz que é preciso perder para chegar ao reino de DELE…talvez esteja nos ensinando o caminho do amor…

Vejo tantos sogros perdendo os filhos por não abençoar a partida de um filho, é preciso deixar os frutos se multiplicarem e voltar pelo vento!

Estou tão distante de ser plena no amor, tanto quanto qualquer um, apenas acredito que o amor vale mais do que os bens!

Ser amado e amar muito são algo que podemos levar junto depois da morte, do desencarne. Toda experiência de amor se carrega, mas e a televisão de LED, ou a casa que você passou a vida comprando e não  viu seus filhos crescerem de tanto trabalhar para paga-la?

Espero e peço em minhas preces todos os dias para combater em mim o egoísmo, para eu não  me perder dos meus muitos amores, dos meus amigos tão preciosos, da minha família tão amada. Peço a Deus para que eu não me perca dele e assim continue conhecendo o amor!